Cultura e Inclusão Junho 2026 Encontros Brincantes

Projeto leva jogos africanos adaptados a bibliotecas de Santa Catarina

Oficinas gratuitas do Encontros Brincantes passam por Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas e promovem acessibilidade, convivência e aprendizagem por meio do brincar

Participantes com e sem deficiência visual jogam juntos em um tabuleiro de madeira durante oficina do Encontros Brincantes
Foto: @imperioteca

As bibliotecas municipais de Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas recebem, a partir de 2 de julho, o projeto Encontros Brincantes, uma iniciativa que coloca a inclusão no centro da experiência cultural. A proposta leva oficinas gratuitas com jogos de origem africana adaptados para pessoas com deficiência visual, criando espaços de aprendizagem, convivência e acessibilidade por meio do brincar.

Durante as atividades, os participantes terão contato com jogos como Achi, Yoté, Gulugufe, Shisima e Tsoro Yematatu, práticas tradicionais de origem africana que estimulam estratégia, concentração, raciocínio lógico, memória, percepção espacial e interação coletiva. Adaptados para diferentes formas de percepção, os jogos podem ser vivenciados pelo toque, pela escuta, pela memória e pela troca entre os participantes.

Família reunida em volta da mesa explora os tabuleiros de madeira durante uma oficina do Encontros Brincantes
Foto: @imperioteca

Mais do que ensinar regras, o projeto propõe uma experiência de inclusão. Com a participação de mediadores com e sem deficiência visual, as oficinas mostraram que o brincar também pode ser uma ferramenta de acesso à cultura, ao conhecimento e à convivência entre pessoas com e sem deficiência. Nas oficinas, a acessibilidade não aparece como complemento, mas como parte essencial da atividade.

“A acessibilidade precisa estar presente também nos momentos de cultura, lazer e aprendizagem. Nos jogos africanos adaptados, a criança ou o participante com deficiência visual joga usando seus sentidos na troca com o outro. Isso transforma a biblioteca em um espaço realmente inclusivo, onde diferentes pessoas aprendem juntas. Inclusive, a escolha das bibliotecas municipais como espaços de realização reforça o papel desses equipamentos públicos como lugares de encontro, formação e participação comunitária. Ao receber o projeto, as bibliotecas passam a ser também territórios de experimentação, diversidade e inclusão”, destaca a produtora, consultora de acessibilidade e uma das idealizadoras do projeto, Ana Santiago.

Detalhe das mãos de um participante posicionando peças sobre o tabuleiro de madeira de um jogo africano adaptado
Foto: @imperioteca

Jogos que são memória, cultura e patrimônio vivo

Os jogos que integram o Encontros Brincantes, como Achi, Yoté, Gulugufe, Shisima e Tsoro Yematatu, fazem parte de um repertório lúdico ligado a diferentes territórios e tradições africanas, transmitido ao longo do tempo por meio da convivência, da oralidade e da prática coletiva. Muitos desses jogos nasceram em contextos comunitários, jogados no chão, com sementes, pedras, gravetos ou pequenos objetos do cotidiano, revelando uma forma de brincar profundamente conectada à vida social, à ancestralidade e aos modos de organização de cada povo.

O Yoté, por exemplo, é associado a países da África Ocidental, especialmente ao Senegal; já o Achi é reconhecido como um jogo de estratégia tradicional de Gana. Ao reunir essas referências em bibliotecas municipais, o projeto aproxima o público de histórias, saberes e formas de pensamento que atravessam gerações, mostrando que o jogo também é memória, cultura e patrimônio vivo.

Grupo de crianças e adultos reunido em volta da mesa joga os tabuleiros africanos adaptados durante a oficina
Foto: @imperioteca

“Quando adaptamos jogos para pessoas com deficiência visual, não estamos apenas tornando uma atividade possível. Estamos dizendo que todos têm o direito de brincar, aprender e participar. A inclusão acontece quando o espaço, o jogo e a experiência são pensados para acolher diferentes formas de perceber o mundo”, afirma a produtora Ana.

Crianças e mediadora interagem com os tabuleiros de madeira coloridos durante a oficina do Encontros Brincantes
Foto: @imperioteca

Kits para as bibliotecas e legado do projeto

Além das oficinas, as bibliotecas participantes receberão, ao final das atividades, kits com dois tabuleiros de cada jogo e um guia com dicas de mediação acessível. A entrega dos materiais busca ampliar o impacto do projeto para além dos encontros, permitindo que as instituições continuem utilizando os jogos em suas programações, ações educativas e atividades de convivência com a comunidade.

O projeto terá seis oficinas gratuitas distribuídas entre os três municípios. As atividades são voltadas para todos os públicos e integram uma proposta de democratização do acesso à cultura, valorização da diversidade e fortalecimento de práticas inclusivas em espaços públicos.

O Encontros Brincantes é uma Proposta Cultural selecionada no Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, realizada com recursos do Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC).

Serviço

  • O quê: Projeto Encontros Brincantes
  • Atividade: Oficinas gratuitas com jogos africanos adaptados para pessoas com deficiência visual
  • Onde: Bibliotecas Municipais de Florianópolis, Antônio Carlos e Tijucas
  • Entrada: Gratuita

Programação

  • Biblioteca Pública Municipal Professor Barreiros Filho — Rua João Evangelista da Costa, nº 1160, Estreito, Florianópolis
    Datas: 2 e 9 de julho · Horários: 10h às 11h30 e 16h às 17h30
  • Biblioteca Municipal Edmundo da Luz Pinto — Rua Coronel Büchelle, 01, Centro, Tijucas
    Data: 3 de julho · Horários: 10h às 11h30 e 14h às 15h30
  • Biblioteca Municipal Professor Lauro Junkes — Praça Anchieta, 10, Centro, Antônio Carlos
    Data: 7 de julho · Horários: 9h às 10h30 e 14h às 15h30

Posicionamento que não negocia reputação

Agendar diagnóstico
Falar com a TACO no WhatsApp